O método, um argumento para a redação do Enem

Não sei se deva falar-vos das primeiras meditações que aí realizei; pois são tão metafísicas e tão pouco comuns, que não serão, talvez, do gosto de todo mundo. E, todavia, a fim de que se possa julgar se os fundamentos que escolhi são bastante firmes, vejo-me, de alguma forma, compelido a falar-vos delas. De há muito observara que, quanto aos costumes, é necessário às vezes seguir opiniões, que sabemos serem muito incertas, tal como se fossem indubitáveis, como já foi dito acima; mas, por desejar então ocupar-me somente com a pesquisa da verdade, pensei que era necessário agir exatamente ao contrário, e rejeitar como absolutamente falso tudo aquilo em que pudesse imaginar a menor dúvida, a fim de ver se, após isso, não restaria algo em meu crédito, que fosse inteiramente indubitável. Assim, porque os nossos sentidos nos enganam às vezes, quis supor que não havia coisa alguma que fosse tal como eles nos fazem imaginar. E, porque há homens que se equivocam ao raciocinar, mesmo no tocante às mais simples matérias de geometria, e cometem aí paralogismos, rejeitei como falsas, julgando que estava sujeito a falhar como qualquer outro, todas as razões que eu tomara até então por demonstrações. E enfim, considerando que todos os mesmos pensamentos que temos quando despertos nos podem também ocorrer quando dormimos, sem que haja nenhum, nesse caso, que seja verdadeiro, resolvi fazer de conta que todas as coisas que até então haviam entrado no meu espírito não eram mais verdadeiras que as ilusões de meus sonhos. Mas, logo em seguida, adverti que, enquanto eu queria assim pensar que tudo era falso, cumpria necessariamente que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, notando que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa que todas as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de a abalar, julguei que podia aceitá-la, sem escrúpulo, como o primeiro princípio da filosofia que procurava.

DESCARTES, René. Discurso do método, Col. Os pensadores. São Paulo, Abril Cultural, 1973. p. 54.

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O texto acima pode ser usado por professores como coletânea de redação para produção nas aulas práticas de redação no Ensino Médio. Use-o sem moderação.

Atividades de interpretação para EM

Ao longo dos anos em sala de aula eu tenho visto os alunos com bastante dificuldade em memorizar informações melhorando o desempenho por meio de técnicas que ajudam a entender melhor os enunciados e a guardar informações. Seja por meio de medicação ou de exercícios em psicopedagogos, é necessário atacar as causas para que o desempenho melhore. Além disso, é bom fazer exercícios que ajudem no preparo prático.

Lista de exercícios de interpretação

TEXTO VIII

Enquanto o Titanic ainda flutua, tentemos o impossível para mudar o seu curso. Afinal, quem faz a história são as pessoas e não o contrário.

(Herbert de Souza, na Folha de São Paulo, 17/11/96)

32) Infere-se do texto que o Titanic:

a) é um navio real.

b) simboliza algo que vai mal.

c) é um navio imaginário.

d) simboliza esperança de salvação.

e) sintetiza todas as tragédias humanas.

33) Pelo visto, o autor não acredita em:

a) transformação

b) elogio

c) desgraça

d) favorecimento

e) determinismo

34) A palavra “afinal” pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:

a) conquanto

b) porquanto

c) malgrado

d) enquanto

e) apenas

35) Infere-se do texto que:

a) há coisas que não podem ser mudadas.

b) se tentarmos, conseguiremos.

c) o que parece impossível sempre o é.

d) jamais podemos desistir.

e) alguns têm a capacidade de modificar as coisas, outros não.

36) Para o autor, as pessoas não devem:

a) exagerar

b) falhar

c) desanimar

d) lamentar-se

e) fugir

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Gabarito dos exercícios

Texto VIII

32) Letra b

Essa questão só pode ser resolvida com um conhecimento prévio, independente do texto. O Titanic, como se sabe, era um navio que naufragou, matando uma grande quantidade de pessoas. O autor apelou para essa imagem por querer falar de algo que também corre perigo de se tornar um desastre.

33) Letra e

Determinismo é uma filosofia segundo a qual quando uma coisa tem que acontecer nada pode impedir. Pode ser associada à idéia de destino, em seu sentido mais radical. Ora, ele acredita que o curso pode ser mudado. Também justifica a resposta o fato de as pessoas fazerem a história, ou seja, elas podem criar e evitar determinadas situações.

34) Letra b

Conquanto e malgrado são conjunções concessivas, sinônimas de embora. Elas criam uma oposição, o que não ocorre no texto. Enquanto e apenas são conjunções temporais, eqüivalendo a quando. Também não é essa a idéia. O gabarito só pode ser a letra b, pois a palavra porquanto tem valor de causa e corresponde a porque. Esse é o valor da palavra afinal no texto.

35) Letra d

A opção a destoa completamente, já que o autor acredita nas transformações. A letra b pode enganar. Observe, no entanto, que ela garante que sempre conseguiremos, desde que tentemos. O texto não garante que isso vá ocorrer, apenas que se deve tentar. A letra c não pode ser a escolhida pois o autor diz para tentarmos o impossível. É lógico que, se conseguirmos, aquilo apenas teria tido a aparência de impossível. A afirmação da opção e não encontra nenhum apoio no texto, que não faz distinção entre quem pode conseguir e quem não pode. A resposta só pode ser a letra d: se não desistirmos, até o que parece impossível poderá ser alcançado.

36) Letra c

Esta questão praticamente foi comentada na anterior. Não se pode desistir de algo, ou seja, não se pode desanimar.

Atividade sobre funções da linguagem

exercício-enem-interpretacao-descomplica (8)O Enem vai acabar? Não. Não existem indícios de que o principal teste de conhecimentos do país vai acabar. A pergunta tem sim feita por pais, estudantes e professores em todo o Brasil, isto porque no dia 23 de setembro de 2016 foi publicado no Diário Oficial da União o texto da Medida Provisória 746 que propõe a reforma do atual modelo do ensino médio oferecido pelas escolas da rede pública e privada do país. Isso deve, acredito, ficar em segundo plano porque não influencia na qualidade de estudo dos candidatos a uma vaga na universidade. Por isso mesmo é que você deve estudar e começar agora mesmo com estes exercícios de Português sobre funções da linguagem.

Exercícios sobre funções da linguagem

Texto para as questões 1, 2 e 3.

“DÊ UM PRESENTE

QUE VAI COLOCAR SUA

“MÃE LÁ EM CIMA.”

(Revista Folha 1999)

1 – As mensagens publicitárias atuais exploram a ambigüidade, a multiplicidade de sugestões. Um filho que lesse a mensagem acima e a interpretasse ao pé da letra poderia ser levado a comprar vários presentes para a sua mãe, exceto.

a) uma escada para trabalhos domésticos.

b) um apartamento de cobertura.

c) uma máscara de mergulho

d) um sapato de salto alto

e) um trampolim.acesse aqui o descomplica

2 – Na realidade, a mensagem dessa propaganda divulga um veículo. Assim considerando, ela sugere que, ao dar tal presente, o filho está:

a) elevando a mãe à condição de superioridade própria de quem pode comprar um veículo importado.

b) investindo num futuro melhor para sua mãe.

c) incentivando o orgulho que as mães sentem por possuírem coisas valiosas.

d) valorizando a mãe e elevando-lhe o ânimo.

e) forçando a mãe a subir em carros mais altos.

3 – Que função da linguagem predomina nesse texto publicitário?

4 – Observe a linguagem de seus professores e faça uma lista das principais expressões utilizadas por eles para:

a) Afastar ruídos do canal.

b) Verificar se a mensagem foi transmitida.

5 – Identifique nos textos abaixo as suas respectivas funções.

a) “... a lua era um desparrame de prata” (Jorge Amado)

b) Numa cesta de vime temos um cacho de uvas, uma maça, uma laranja, uma banana e um morango . Todas essas frutas são ricas em vitaminas, e podem ajudar no bom funcionamento do organismo. (Revista Vida e Saúde)

bilhete

6 – No texto acima, duas funções da linguagem se cruzam. Quais são e com que finalidade foram empregadas?

7 – Transcreva do texto dois verbos que comprovem o emprego dessas duas funções.

1-

2 -

Como criar frases criativas para promoções

Abaixo darei cinco dicas de como criar frases ótimas para participar de concursos culturais. Digo de antemão que muitas vezes passamos um tempo enorme fazendo construções  dignas de uma Fernando Pessoa, mas não ganhamos. Quando vemos o resultado, nos decepcionamos, pois as frases escolhidas são dignas de um Jardim da Infância. Por isso, as dicas podem até ser boas, mas a avaliação é sempre muito subjetiva.

Melhores-Sites-De-Promoções

5 dicas para construir frases para concursos culturais

  1. A primeira e mais simples dica é “leia o regulamento”. Como pensar em participar de algo sem saber o que será cobrado, avaliado ou quais os critérios de eliminação?
  2. Leia muito. Por mais que você não vá achar a frase que deseja nos poemas de Mário Quintana, ler bons textos nos ajudam a conhecer a estrutura da língua, aumenta o vocabulário e nossa sensibilidade para as palavras.
  3. Qualquer música, livro, poema, outdoor, folheto de mercado pode ser a inspiração de que precisa. Fique atento a tudo ao seu redor e aprenda a usar o que de melhor já foi pensado.
  4. “Frase perfeita”. Eu disse no início do post que a avaliação é muito subjetiva e, portanto, é impossível saber o que moverá os juízes a nosso favor. Essa é a hora em que devemos aliar a nossa competência ao criar a frase e a sorte de cair nas mãos de alguém que goste do que escrevemos. Uma coisa é certa: escreva para a empresa e não para si mesmo.
  5. Quando há uma empresa por trás da promoção e esta é voltada para o público jovem, seja bastante criativo. Geralmente quem foge do senso comum sendo criativo tem mais chances. Trocadilhos e temas atuais podem ser uma boa, mas tome cuidado com a tênue linha entre o engraçado e o engraçadinho.

Aprenda a baixar “di grátis” livros da internet

Com a chegada dos iPads e similares, algo que era até então muito ruim passou a ser mais agradável: a leitura de livros no pc. Há uma infinidade de sites que disponibilizam esses arquivos e pode-se até comprar diretamente das editoras os lançamentos. Tudo na comodidade de sua casa.

É tudo muito simples e rápido. Os arquivos costumam ser do tipo PDF, (cujo programa de leitura é o Foxit Reader, por exemplo) e não pesam mais de 1 MB. Isso significa que mesmo você que não possui uma internet em banda larga pode baixá-los.

A sugestão final que deixo são esses dois links abaixo:

Latino é o novo Drummond

 O bundalelê é a paixão nacional.

Lendo despretensiosamente uma coletânea de poemas de Carlos Drummond de Andrade na tarde de ontem, fui surpreendido quando notei uma semelhança no mínimo assustadora. Seria Latino, nosso grande poeta da modernidade e do bundalelê o mais novo Drummond? Ou será que é apenas uma daquelas coincidências que nos surpreendem diariamente? Vejam só o poema drummondiano a que me refiro:

Bundamel Bundalis Bundacor Bundamor

Bundamel Bundalis Bundacor Bundamor
bundalei bundalor bundanil bundapão
bunda de mil versões, pluribunda unibunda
bunda em flor, bunda em al
bunda lunar e sol
bundarrabil
Bunda maga e plural, bunda além do irreal
arquibunda selada em pauta de hermetismo
opalescente bun
incandescente bun
meigo favo escondido em tufos tenebrosos
a que não chega o enxofre da lascívia
e onde
a global palidez de zonas hiperbóreas
concentra a música incessante
do girabundo cósmico.
Bundaril bundilim bunda mais do que bunda
bunda mutante/renovante
que ao número acrescenta uma nova harmonia.
Vai seguindo e cantando e envolvendo de espasmo
o arco de triunfo, a ponte de suspiros
a torre de suicídio, a morte do Arpoador
bunditálix, bundífoda
bundamor bundamor bundamor bundamor.
Agora você há de concordar comigo que, ou Drummond já aventava a possibilidade de fazer funk ,ou Latino é um leitor secreto do maior poeta brasileiro.
Isso só me faz crer que há mais coisas entre um hit e outro do funk do que sonha a nossa vã sanidade.

Confira o hit do Latino numa super produção da EMI clicando nesse link.

Baixe as obras de Machado de Assis gratuitamente

34 anos, algumas dívidas, mas a certeza de que dias melhores viriam. Nada dizia à mulher. À filha, nada retinha. Aos amigos, sempre uma aparência de quem está num mar de prosperidades. A carteira encontrada na rua coloca-o numa situação conflitante. Assim segue o enredo de “A carteira”, conto de Machado de Assis disponibilizado gratuitamente pela Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro.

Clique neste AQUI e baixe gratuitamente a obra. É necessário um leitor de pdf para visualizar a obra. Baixe-o AQUI.

Conheça ainda o blog “Casa do texto”, um projeto voltado para o estudo da Língua Portuguesa.

Usa o que é meu e reclama?

Noutro dia tive uma conversa rápida com o Rubem Alves. Na verdade, eu estava na sala dos professores quando ele entrou amparado por uma divulgadora de livros. Não trocamos nenhuma palavra inicialmente, mas fomos formalmente apresentados. Quando achei que ele sairia sem falar nada comigo, desandou a falar. E disse:

Não faças versos sobre acontecimentos…

Analisar poesias é algo que me apraz. Não que eu saiba, mas em anos de estudo aprendi um pouco a reconhecer certas nuances em poemas. Aprendi também que um poeta é capaz de fazer com que as piores barbaridades tomem forma de arte ao retratá-las com as palavras certas. Hoje disse despretensiosamente no Twitter que “tinha dúvidas” se era possível escrever poesia sobre qualquer coisa. Depois, no entanto, de ler Alphonsus de Guimaraens minha resposta estava mais que dada. Vejam só o que ele faz no poema Ismália:

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

Poesia tem um quê de loucura , eu concordo. E loucura é “um sentimento” às vezes. Ismália, por exemplo, enlouquece. Seu pensamento divide-se entre o céu e a terra.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

A lua, na poesia, tem significações mil. No caso de Ismália, mais uma vez, remete aos devaneios. Dividida entre o paraíso (céu) e o inferno (terra), põe-se a sonhar.

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

Uma característica de quem perde a razão é começar a gritar. Vejam só no Twitter ou nos blogs. Quando alguém perde a razão, a argumentação, o senso, começam as calúnias, a gritaria sem sentido…

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

Entregando os pontos, pendida no parapeito da torre, dividida entre o céu e o inferno…

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

Acabou, fim,  último suspiro,  decesso, defunção, desaparecimento, exício, falecimento, finamento, libitina, óbito, parca, passamento, perecimento, trânsito. Ismália salta para a morte, fim da loucura. O corpo agora, afundado no mar vê a alma em direção ao céu.

P.s.: É como tirar leite de pedra… um poema que retrata justamente o momento em que uma moça se joga do alto de uma torre em direção ao mar. Certa da morte, esta não lhe assusta, pois é sinônimo de libertação.

Como escrever bem em 10 passos

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Não procure pelo em ovo, por favor.
Fui quase intimado pelo meu amigo e companheiro de labuta diária, o Cidão, para comentar algumas dicas que ele deu no post “10 sugestões para escrever em blogs” publicado originalmente lá no maluco Crazyseawolf’s blog.
Em seu post, o Cidão diz que “poucos realmente possuem o dom da escrita”. Discordo em termos desse conceito. Durante muito tempo, as pessoas acreditaram piamente na ideia de que o escritor é aquele ser que nasce feito. Basta que ele pegue a caneta para que seja tomado de inspiração e a obra saia de uma vez, pronta.  Prefiro ficar com o conceito de Manuel Bandeira, poeta amado pela Priscila Souza. Esse poeta afirma que os escritores não são seres dotados de uma genialidade distante dos outros mortais. Ele afirma que todo escritor é dotado de um alumbramento. Buscando uma definição para a palavra, o Dicionário Informal afirma o seguinte:


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É preciso estar atento ao novo
Alumbramento são “experiências que passamos e que parecem não ser "deste mundo". Momentos singulares, impregnados de algo maravilhoso que, de repente, nos toca e encanta. Uma espécie de encantamento faz-nos sentir "estrangeiros" e, ao mesmo tempo, plenamente nós mesmos, totalmente protegidos em algo familiar . Nestes instantes, desembaraçados dos poderes cotidianos, experimentamos uma impressão de extraordinária liberdade.”
No caso da escrita, seria uma sensibilidade diferente para perceber aquilo que ocorre ao redor. O escritor, na minha opinião é diferente nesse aspecto. É aqui que começo a pensar no post do Cidão de forma mais efetiva.

1) Antes de mais nada, saiba escrever e ler
[IMAGEM] (675)É preciso ter intimidade com as letras. Já falei que quem escreve muito escreve melhor, mas não é possível dissociar a escrita da leitura. Conhecendo por meio de outros autores as possibilidades de construção do pensamento, bem como as maneiras como um mesmo pensamento pode ser expresso, claro que uma pessoa terá mais facilidade para escrever em um blog. Cito, por exemplo, o Contraditorium. Não porque quero um link lá no blog do Cardoso, mas porque ele sabe muito bem organizar o pensamento no texto escrito. Estrutura, vocabulário, conhecimento gramatical, ainda que empírico, são essenciais para quem quer escrever bem. Claro que há públicos diferentes para blogs diferentes, mas a regra é escrever certo e não o contrário.

2) Escreva sobre algo que você conhece
Nunca escreva sobre algo que você nunca viu ou desconhece.” A afirmação do meu amigo professor de Física é verdadeira. Ninguém deve escrever sobre o que não conhece. Já disse que “morri pela boca”. Me vangloriei certa vez numa aula de Filosofia e “si dei mal”. Sei como estruturar as ideias, mas isso não significa que eu saiba falar de tudo. Isso não impede, no entanto, que você se aventure a escrever sobre o que quer. Uma boa pesquisa, conversas sobre o assunto com amigos no Twitter, tudo isso pode fazer com que você possa emitir uma opinião sobre algo. Eu, por exemplo, já dei dicas de como fazer sucesso, mas me perguntei ao final do artigo se eu mesmo sou um exemplo de sucesso. O Caio Lausi é um bom exemplo que pessoa que diversifica. Ele fala de tecnologia, de carros, armas, Esquadrilha da Fumaça, pensa nos outros e ainda me perturba no MSN.

3) Ao dar uma opinião, forneça elementos
Leia novamente a dica anterior. Acrescento apenas que falar de forma enfática é mais eficaz do que ficar vacilando entre advérbios de dúvida. Vê como o Maluf, por exemplo, sai bem de situações que aparentemente são saias-justas? Fale com convicção.

4) Dê referências,  "linke" muito
“Ao escrever sobre qualquer assunto, "linke" outros artigos como referências, para apoiar sobre o que você está discorrendo”.  Isso que o Cidão falou é verdade. Ontem, no Twitter, o Hugo Meira disse que sempre ensinaram que ele deveria escrever em 3º pessoa. Brincou, ainda, afirmando que diziam isso por ele não ter credibilidade. Discordo, mas é bom referenciar aquilo que se diz. Exceto aqueles que já publicaram obras teóricas, tratados ou mesmo tiveram alguma sacada genial que resolveu algum problema de muitas pessoas, a maioria dos blogueiros deveria linkar outros textos a partir dos quais eles chegaram às conclusões apresentadas no post.


5) Não copie textos de outros
Nove entre 10 pessoas que mantém algum tipo de site na internet dão como dica principal para ter sucesso com um novo blog a publicação de artigos originais. Entenda como original não apenas aquilo que nunca tenha sido escrito. Este meu artigo, por exemplo, embora baseado na estrutura e conteúdo desse post, acrescenta, eu espero, algo ao que já havia sido dito. Copiar é crime, é feio e queima o filme. Para ver como isso é ruim, basta sentar com a  Juliana e ouvir as histórias de plágio que a mesma já viveu. Usar ideias de outros blogs não considero errado, mas além de linkar o original, algo novo deve sempre ser acrescentado. Não me venham falando que a simples troca por sinônimos faz o texto ser original. Eu já vi textos em metablogs que eram cópias de outros, mas apenas por ter uma ou outra palavra diferente já era visto como único por seu autor. “Me engana que eu gosto” é o que eu diria.

6 ) O que importa é a qualidade
Há algum tempo, minha maneira de blogar mudou um pouco. Isso é, em partes, culpa do editor desse blog. Fui convencido de que fidelizaria mais meus leitores publicando menos, porém melhores artigos do que fazendo três, quatro ou mais postagens no mesmo dia. Muitas vezes, estas nem eram escritas por mim e sim reproduções de piadas e comentários que recebia por e-mail. O fato é que seja pequeno como este aqui ou grande como este que você está lendo agora, conteúdo é primordial.

7) Coloque palavras-chaves
Já ouvi falar sobre criar títulos, subtítulos, deixar algumas palavras em negrito. Gosto do aspecto, embora nem sempre use. O conceito de palavra-chave para indexação pelo Google, no entanto, não sei bem. Quem sabe o próprio Cidão ou o Felipe Xavier queiram falar disso.

8) Revise o seu texto
Repito exaustivamente que um texto não deve conter erros de norma culta. Isso não é importante apenas pelo fato de evitar problemas de interpretação ou deixar o texto desconexo, mas o uso correto da língua portuguesa é importante porque confere credibilidade ao texto. Se no primeiro parágrafo já encontro um “seje” perco a vontade de ler. Na dúvida, consulte este dicionário. Claro que não é desculpa, mas erros que claramente são de digitação devem ser relevados. Eu mesmo já deixei uns dois erros propositais (e mais cinco por falta de revisão) nesse post e acho que ninguém percebeu!

9) Os títulos devem ser interessantes, mas não muito longos
“Ninguém pega mosca com vinagre” diz uma ilustração do livro “Técnicas de comunicação escrita”. Um bom título pode instigar o leitor. Muitos leem por e-mail ou pelo GReader e um bom título é mais um ponto a seu favor. Veja este artigo do blog Fique-Rico para entender a importância disso.

10)  Leia muito 
Ler muito não só torna as estruturas da língua mais internalizadas como ajuda a memorizar a grafia das palavras. Nunca mais você vai esquecer como se escreve obsessão ou vai confundir viajem com viagem se souber como usá-las. Na pior das hipóteses, ler bons livros vai purificar seu cérebro de tantas besteiras que lemos por aí.
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Uma imagem fofa pra agradar aos meus amigos.

Como ir bem na redação do ENEM

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Ufanismo está sempre na moda nesse governo. Lembre-se de ler sobre o pré-sal.
Muitos chegam ao meu blog à procura de informações acerca da redação do ENEM. Já falo sobre produção textual há tempos aqui no blog. Já abordei, por exemplo, o tema nos seguintes artigos:

Você sabe o que é coerência textual?
Sem estrutura a casa cai
É bom saber gramática?
Como escrever bem uma redação
Primeiras impressões sobre a escrita
Escrever bem é uma arte?
Seu sucesso depende de como você escreve

Volto, no entanto, ao assunto porque fui indagado por um aluno hoje de manhã. Durante uma aula de redação, na qual eu falava sobre a carta argumentativa, o discurso acabou caindo de novo nessa prova que todos eles farão nos dias 3 e 4 de outubro. Vamos ao que interessa então:

Como será a prova?
10202004115806806gA redação do ENEM deverá, é claro, ser escrita usando o padrão culto da linguagem. Como sei que o texto mais confortável para a maioria é a dissertação, evite ser íntimo na discussão da proposta. Você deve ser o mais imparcial possível, por isso, evite adjetivações excessivas. Elas revelam uma subjetividade, uma análise contaminada pelo emissor. Isso pode ser “um tiro no pé” quando se quer analisar friamente uma questão.  Ainda que o @hugomeira diga que o ensinaram a usar apenas a terceira pessoa, há vestibulares que aceitam a 1ª pessoa. É o caso da UNESP, por exemplo. Aproveito pra lembrar que o texto em prosa é aquele que se divide em parágrafos. Algo, guardadas as devidas proporções, como este post. Não abordarei o tema da redação, embora tenha quase certeza de qual será, para que não me venham culpar caso eles resolvam mudar nessa última semana. Lembre-se de que algumas faculdades usarão a nota do ENEM como critério de seleção e o peso dado compete única e exclusivamente a cada uma delas. Certo apenas é que para a seleção ao Pro Uni a redação vale 50% da média geral.
Bandeira do Brasil
Não seja engraçadinho. Corretores são pessoas mal humoradas.
Como é corrigida a redação?
Analisam-se as cinco competências do ENEM, específicas para redação e produção de texto:
Competência I - Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita;
Competência II - Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo argumentativo;
Competência III - Selecionar, interpretar informações, fatos, organizar argumentos em defesa de um ponto de vista;
Competência IV - Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação;
Competência V - Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, demonstrando respeito aos direitos humanos.

Assim como faço com os textos que peço aos meus alunos, fugir do tema ou construir um texto que não seja dissertação é critério de anulação. Além disso, o ENEM anula textos identificados pelo participante, redação em branco ou com menos de 7 linhas escritas. Por favor, não faça desenhos ou xingue os corretores, Lula, deputados ou seu vizinho. Qualquer coisa que você escrever que tangencie a proposta será considerada, por isso, não faça gracinhas. Esqueça o folclore dos professores de cursinho que usam histórias da carochinha para ficar bem no ibope da escola e assim garantir o emprego no ano seguinte.
É você quem vai corrigir minha redação?
Pra sua sorte não sou eu quem vai corrigir seu texto. Cada produção textual é corrigida por duas pessoas, “de forma independente, sem que um conheça a pontuação dada pelo outro” como faz questão de frisar o ENEM. Caso haja uma diferença gritante na nota atribuída pelos dois, um terceiro corretor entra em cena. É a pontuação deste que prevalecerá. Ainda sobre a correção feita pelos dois primeiros, se a diferença for inferior a 5,0 (cinco) pontos, tira-se a média das duas notas.
Reforço que é bom ler os links que deixei lá no início do post. Por último, ainda que você não vá fazer a prova a que me refiro aqui no post, entender que um texto precisa de organização para cumprir seus objetivos é obrigação de todo que se presta a fazer isso.

A culpa é do Saramago*

Normalmente, quando um revisor dá seu preço por um serviço, tem de lidar com caras fechadas, bocas tortas e resmungos. Nove entre dez pessoas acham que o trabalho do revisor pode ser feito por qualquer um. Basta o cara saber que “nóis vai” é diferente de “nóis fumo” que já se julga o Pasquale. Rio dessas situações, pois pra cada vez que orcei um trabalho e a pessoa mentiu dizendo que retornaria a ligação, dois novos clientes apareceram pedindo o serviço “pra ontem” afirmando que faltam dois dias para entregar o trabalho/monografia/tese e o professor rabiscou todo o texto. Um bom exemplo é o caso do expert que foi chamado para arrumar um computador muito grande e extremamente complexo… um computador de 12 milhões de dólares. A história eu recebi por e-mail e transcrevo abaixo:

“Sentado na frente do monitor, apertou umas tantas teclas, balançou a cabeça, murmurou algo para ele mesmo e apagou o equipamento. Pegou uma pequena chave de fenda do bolso e deu uma volta e meia em um minúsculo parafuso. Então, ligou o computador e comprovou que funcionava perfeitamente.O presidente da empresa se mostrou surpreso e satisfeito. E se ofereceu para pagar o serviço à vista.
- Quanto te devo? – perguntou.
- São mil dólares pelo serviço.
- Mil dólares? Mil dólares por alguns minutos de trabalho? Mil dólares só para apertar um simples parafuso? Eu sei que meu computador vale 12 milhões de dólares, mas mil dólares é muito dinheiro. Pagarei somente se me mandares uma fatura detalhada que justifique o valor.
O especialista confirmou com a cabeça e foi embora…
Na manhã seguinte o presidente recebeu a fatura, a leu com cuidado, balançou a cabeça e a pagou no ato.
A fatura dizia:
SERVIÇOS PRESTADOS:
Apertar um parafuso……………….……………….….. 1 dólar
Saber qual parafuso apertar………………….………. 999 dólares.”

Algumas vezes é um erro julgar o valor de uma atividade simplesmente pelo tempo que se demora para realizá-la ou pela facilidade, no caso do revisor, que a pessoa tem para corrigir o que foi escrito. Um tweet de um amigo revela em parte o que eu quero dizer.

Revisão

Ninguém sabe quem é o figura no avatar, né, Caio?

O fato é que trabalho com correções de redação para um cursinho e faço revisões de texto de diversos tipos. Ao falar da importância do revisor, encho-me de exemplos da mídia e outros de veículos que deveriam primar pelo uso correto da língua portuguesa.

Exemplo claro de como um revisor é importante ocorreu nesta semana. Interromperam uma de minhas aulas para fazer a divulgação de um projeto de inclusão de alunos no mercado de trabalho. Depois do discurso falso de que tudo seria de graça, entregaram algumas fichas que deveriam ser preenchidas. Veja a imagem da mesma:

carta2 Suprimi o endereço e telefone da empresa é claro.

Se você não viu problema nenhum nela, considere contratar um revisor quando for entregar algo relacionado ao seu trabalho e consequentemente aos seus ganhos. De quem é a culpa no caso da ficha? Certamente de alguma secretária boi-de-piranha.

*Não entendeu o título, clique aqui.

Eu sou um Macunaíma

macunaima-poster03Como assim “Onde todos comem todos?” 

Identifico-me com esse personagem de Mário de Andrade. Falei hoje com uma amiga lá no Twitter que não é apenas a cor que me aproxima do “herói sem nenhum caráter”. Não que eu seja tão malandro, preguiçoso, manhoso, matreiro e mentiroso. Eu, diferentemente dele, não tenho irmãos e, por isso, não arrumava encrenca com eles. Arrumei com um vizinho, pois eu era o único que tinha bola na rua de  casa e sempre iam em casa me chamar para que eu emprestasse para eles. Até a irmã dele ia em casa pedir. Eu ia, embora enjoasse quando queria voltar pra casa e ela e as amigas não queriam largar. Cheguei a dar um chute na bunda desse ex-colega quando ele, enciumado por causa da irmã que não largava do meu pé, mandou-me enfiar a bola na bunda. Juro que quase respondi, mas já tinha um domínio próprio invejável nessa época. Macunaíma não, pois desde pequeno sempre arrumava encrenca com os irmãos. Com Jiguê, por exemplo, não era bem uma relação de respeito. Macunaíma sempre levava as esposas do irmão para "brincar".

Casei-me, mas não escolhi a mulher mais importante da sociedade como Macunaíma. Ele, andando pelo mato com os irmãos, encontra Ci, a mãe do mato, e torna-se o Imperador do Mato Virgem quando a toma por esposa.

Diferentemente dele, nunca viajei em busca de algo que fosse importante. Falo isso mesmo sabendo que namorei alguém que morava a 400 e poucos quilômetros de minha casa e que isso durou quatro anos e meio.

Não me envolvi em aventuras como as que meu amigo Macunaíma se envolveu. Ele foi até São Paulo resgatar a pedra que perdera e descobre que aquele que roubou é comedor de gente. Muito malandro, nosso herói mata o comedor de gente, recupera seu tesouro e volta para a Amazônia com os irmãos. Lá, recebe da deusa-sol as duas filhas dela, mas muito sacana, envolve-se com uma estrangeira. A sogra, por vingança, arma uma armadilha para ele. Ela atrai “Macunaíma até um lago onde uma moça de nome Uiara o seduz. O índio acaba por se entregar aos desejos da moça do lago e tem os membros de seu corpo comidos pelos peixes. Recupera a todos, menos a perna e o amuleto muiraquitã, engolidos pelo monstro Ururau.”

Desgostoso, como eu fico às vezes, sem o amuleto e sem os irmãos, é transformado pelo feiticeiro Piauí-Pódole na constelação de Ursa Maior.

Como podem ver, são muitas as semelhanças entre eu e o malandro Macunaíma. Na verdade, ele é o representante máximo do Brasil e de seu povo. Gostem disso ou não.

Augusto dos Anjos - dia do escritor

Hoje é o dia do escritor. Não sei se há muito o que comemorar num país que não lê tanto quanto deveria. Na verdade nem é um problema já que a maioria não é honesta como deveria. Enfim, não poderia deixa passar em branco a data.
Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das idéias!

Poesia sem meias palavras - 2


Uma singela homenagem à vitória do Brasil.

Noutro dia, nesse post, fiz a análise de um poema chamado "Namoro a Cavalo" , texto escrito por Álvarez Azevedo. Como alguns amigos vieram dizer que tinha ficado interessante (eufemismo pra besteira de quem não tem muito o que fazer) resolvi repetir a dose. O texto de hoje é um poema intitulado "Boa noite" e foi escrito por Casimiro de Abreu. Sim, o mesmo que escreveu "Meus oito anos", aquele que diz "Ai que saudades que tenho da aurora da minha vida..."e por aí vai. Vamos ao texto.
Boa-noite


Boa-noite, Maria! Eu vou-me embora.
A lua nas janelas bate em cheio.
Boa-noite, Maria! É tarde... é tarde...
Não me apertes assim contra teu seio.
Boa-noite!... E tu dizes — Boa-noite.
Mas não digas assim por entre beijos...
Mas não mo digas descobrindo o peito
— Mar de amor onde vagam meus desejos.

Pronto, já começou a besteirada. O cara se despedindo da namorada com um boa noite e insistindo para que ela o deixe ir embora. Insiste dizendo que já é tarde. O duro é que ela está dando um apertão nele e, cá entre nós, devia estar com um baita decote. Ela insiste para que ele fique e pede entre beijos. Pra tentar convencê-lo mais ainda, mostra parte do seio. Essa sabe o que faz, você deve estar pensando, mas isso não é nada.

Julieta do céu! Ouve... a calhandra
Já rumoreja o canto da matina.
Tu dizes que eu menti?... pois foi mentira...
... Quem cantou foi teu hálito, divina!
Se à estrela-d'alva os derradeiros raios
Derrama nos jardins do Capuleto,

Calhandra, em Portugal, quer dizer "mulher pouco asseada, mas acho que o poeta aqui quer dizer que ela era semelhante à cotovia, uma ave muito bela. Continuando, o rapaz, que está com os seios da namorada diante de seus olhos, parece praguejar pedindo para ir embora. Diz que já vai amanhecer... espera aí? Das duas uma. Ou o cara passou a madrugada com ela e não deu no couro, ou ela é uma ninfomaníaca. O resto é apenas floreio na estrofe.
Eu direi, me esquecendo d'alvorada:
"É noite ainda em teu cabelo preto..."
E noite ainda! Brilha na cambraia
— Desmanchado o roupão, a espádua nua —
O globo de teu peito entre os arminhos
Como entre as névoas se balouça a lua...

Ela deveria ser uma bela morena. Os cabelos negros como a noite. Ele, embriagado, se esquece de que já está amanhecendo, começa a elogiar o corpo dela. Bem, as palavras menos conhecidas não disfarçam o erotismo da cena.
É noite, pois! Durmamos, Julieta!
Recende a alcova ao trescalar das flores,
Fechemos sobre nós estas cortinas...
— São as asas do arcanjo dos amores.
A frouxa luz da alabastrina lâmpada

Finalmente o maluco resolve voltar. Sem resistir aos apelos da nossa amiga ninfomaníaca, volta à "alcova", fecha as cortinas. Imagino que já naquela época existiam os vizinhos de prédio, loucos, tentando pegar algum flagra do casal apaixonado. Nada surpreendente se lembrarmos que lá no início do poema, ela mostrava os peitos pro rapaz na tentativa de convencê-lo a ficar.
Lambe voluptuosa os teus contornos...
Oh! Deixa-me aquecer teus pés divinos
Ao doudo afago de meus lábios mornos.
Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos
Treme tua alma, como a lira ao vento,
Das teclas de teu seio que harmonias,

Caramba, se você achou que lá na hora em que ele falava dos bicos dos peitos dos seios dela já havia descambado pra pornografia, agora nosso rapaz dá um verdadeiro banho de gato (não pense naquele banho rápido, estou falando do banho como os gatos limpam seus filhotes). No mais, a estrofe confirma a fixação dele pelos seios dela. Freud explica, acho.
Que escalas de suspiros, bebo atento!
Ai! Canta a cavatina do delírio,
Ri, suspira, soluça, anseia e chora...
Marion! Marion!... É noite ainda.
Que importa os raios de uma nova aurora?!...
Como um negro e sombrio firmamento,
Sobre mim desenrola teu cabelo...
E deixa-me dormir balbuciando:
— Boa-noite!, formosa Consuelo!...

Sim, sim, sim, oh yes, oh yes. Isso mesmo. Eles conseguiram. Depois disso, resta apenas dormir. Repare que já naquela época era comum o hábito dos outros homens dormirem após o ato sexual. Veja que eu disse "os outros". Yes, Consuelo, yes, Consuelo.
Imagem de algum lugar de que não me lembro.

Um pleonasmo romântico

Um olhar romântico é sempre mais apurado
Normalmente quem ouve a palavra romance associa rapidamente ao tipo de postura que vê o amor em tudo, que é sentimental e chora ao ouvir um verso de amor. De certa forma isso não está errado, mas o termo romance tem outra origem. Até por volta de 1800, quando um artista queria escrever alguma história, ele o fazia não por um texto em prosa (parágrafos), mas em versos. Foram os autores românticos que começaram a escrever assim, daí o nome para essa estética: Romantismo.
Certo, se romance é o texto escrito em prosa, um texto organizado em parágrafos e escrito no período denominado Romantismo deve ser denominado romance romântico? Seria um pleonasmo? Nada disso, o romance romântico seria uma longa narrativa, em prosa, que gira em torno de um conflito amoroso e que, normalmente, apresenta o seguinte esquema básico:

Inicialmente, temos a caracterização do nosso herói e da nossa heroína. Ambos, pintados com tintas idealizantes, são possuidores de todas as virtudes físicas e morais:

- o homem: lindo, inteligente, honesto, corajoso, fiel e romântico.
- a mulher: linda, atraente, romântica, sensível, fiel e virgem.

O casal logo se apaixona. A união é inevitável, pois foram feitos um para o outro. Tudo indica que serão felizes para sempre, porém... eis que surge um fato inesperado: a proibição dos pais, uma intriga diabólica, um outro homem ou uma outra mulher, etc.
Fico pensando nos enredos das novelas da Globo. Todos iguais, todos repetindo o mesmo esquema dos folhetins, histórias publicadas capítulo por capítulo com o claro objetivo de entreter os leitores da época.
Bom, para desespero dos leitores, o par então se separa, aparentemente de forma irreversível. Normalmente, o fato originário da briga entre os protagonistas foi criado por um personagem que, por razões diversas, se opõe ao protagonista, sendo chamado de antagonista. Esse antagonista facilmente é caracterizado como a verdadeira encarnação do mal; invejoso(a), mau (má), rancoroso(a), às vezes com defeitos físicos. Como não se lembrar da tal Nazaré, personagem da novela "Senhora do destino", a qual está sendo exibida num horário tranquilo, sem crianças em casa, isto é, 14h.
Toda intriga, no entanto, será logo desmascarada, pois a verdade tem de prevalecer e o romance precisa de satisfazer às vontades dos leitores, legítimos representantes da burguesia. Desfeita toda a confusão, o par se reconcilia, agora mais unido do que nunca. E o responsável pela "armação"? Será punido: ou morre, ou é preso, ou fica louco, pois o mal deve ser castigado e o bem, vitorioso. Os apaixonados se casam, pois o amor tem de levar ao casamento. Final feliz.
Poxa, perdoe-me por contar o final da novela. Não sabia que você havia acabado de "puxar cana" e está vendo como se fosse a primeira vez.
Ah, detalhe, como uma possível variação do esquema, em vez de um final feliz, pode haver justamente o contrário, um final trágico, o que não deixa de representar uma estrutura tipicamente romântica, pois a morte acaba sendo uma espécie de união de um amor impossível num plano mais sublime.
Não sei se já falei disso, mas eu seguia no Twitter uma menina a qual não conhecia, mas o que ela escrevia era tão depressivo que, se eu estivesse num dia em que não houvesse motivos para cantar uma linda canção, teria vontade de cometer suicídio. Por hoje é só, pessoal.

"A boca, no papel" de Drummond

Uma boca pode despertar os sentimentos mais primitivos em uma pessoa. Já ouvi elogios a minha, mas não dei muito crédito, pois achei que ela tinha terceiras intenções. Terceiras, pois as segundas cheguei a conhecer. Fato é que seja a da Angelina Jolie ou a do Boris Casoy, a boca já foi tema de redação. Drummond falou sobre isso no texto que segue o fragmento abaixo.


A boca, no papel

Carlos Drummond de Andrade

O garoto da vizinha me pediu que o ajudasse a fazer (a fazer, não, a completar) um trabalho escolar sobre a boca. Estava preocupado porque só conseguira escrever isto: ‘Pra que serve a boca? A boca serve para falar, gritar e contar. Serve também pra comer, beber, beijar e morder. Eu acho que a boca é um barato’. Queria que eu acrescentasse alguma coisa.
_ Que coisa?
_ Qualquer coisa, ué. Escrevi só quatro linhas, a professora vai bronquear.
_ Mas em quatro linhas você disse o essencial. Para mim, só faltou dizer que a boca serve também para calar. Em boca fechada não entra mosquito.
_ Isso não dá nem uma linha _ e os olhos do garoto ficaram tristes. _ Por favor, me ajude...
Então resolvi fazer a minha redação, como aluno ausente do Colégio Esperança, e passá-la ao coleguinha, a título de assessor de emergência.


Boca



A boca! Tanta coisa podemos falar sobre a boca, mas é sempre por ela que falamos dela. Até caneta e o lápis são uma espécie de boca para falar sobre a boca. Eles vão riscado e saem as palavras como se saíssem por via oral. (Risquei a expressão “por via oral”. É muito sofisticada, ninguém vai acreditar que fui eu que escrevi. Mas foi sim.)
A boca é linda quando é de mulher que tem boca linda. Fora disso, nem sempre. A boca é muito rica de expressões, mas não se deve confundi-la com a chamada boca rica. (Mordomia, negociatas, pregão de ações da Vale do Rio Doce aos milhões etc.) A boca de que estou falando, aliás, escrevendo, pode ser alegre, amarga, ameaçadora, sensual, deprimida, fria, sei lá o quê. Uma boca pode variar muito de expressão e mesmo não ter nenhuma. Uma das bocas mais gozadas que eu já vi foi a boca–de-chupar-ovo, uma boquinha de nada, da minha tia Zuleica. Se fosse um pouquinha mais apertada, eu queria ver ela se alimentando – por onde? Mas esta boca está fora da moda, só aparece no jornal nos retratos das melindrosas de 1928, que faziam a boca ainda menor desenhando o contorno com o batom. Os lábios ficavam de fora, de longe.
Estou lendo escondido as poesias de Gregório de Matos. Dizem que ele tinha o apelido de Boca do Inferno por causa dos negócios que escrevia e que eram infernais. Infernais no tempo dele, pois na rua e em toda parte já escutei coisas muito mais cabeludas, xii!...
Toquinho canta uma letra que fala em boca da noite, acho que ele queria falar no anoitecer, É bonito,mas não consigo imaginar essa boca na cara da noite. Sou mais a boca do dia, que não sei se alguém já teve idéia de falar nela, mas o amanhecer engolindo a escuridão da noite é mais legal que o anoitecer papando os restos do dia.
Boca por boca, não ando atrás da boca-livre, que aliás nunca passou perto de mim, e só um grupo consegue, os privilegiados. Se a boca fosse livre para todos, então a vida seria melhor. É a tal história: quanta gente fazendo boquinha pra conseguir o quê? Nada. E com quatro ou cinco bocas em casa pra sustentar.
Diz-se que o uso do cachimbo faz a boca torta, e eu pergunto: por que não botar o cachimbo ora no outro canto da boca, pro torto endireitar? Se o vatapá põe a gente de água na boca, me expliquem por que , depois de comer , o cara pede um copo d’ água.
Gente que não admite discussão nem leva desaforo para casa manda logo calar a boca. Mas já vi gente dando palmadinha na própria boca e dizendo “Cala-te, boca”. E ela obedece . Às vezes já é tarde, a boca disse uma besteira inconveniente , e o jeito é o cara se lastimar , com cara de missa de sétimo dia : “Ai, boca, que tal disseste”!
E assim , de boca em boca, vai correndo o dito maldito. Me disseram que um cara bom de discurso, palavreado fácil , como certos deputados e prefeitos por aí, merece o título de boca de ouro. Fala tão bonito que a gente vê barrinhas de ouro saltarem da língua dele. Mas é só de mentirinha. Esse ouro não melhora a sina do povo nem a nossa dívida externa, que é uma boca larga imensa, engolindo todas as reservas da gente. E contra essa história de inflação, custo de vida e tal e coisa, nem adianta mesmo botar a boca no trombone. Os de lá de cima fazem boca-de –siri- ou , senão, boca de defunto , porque, como advertia o saudoso Ponte Preta , siri , mesmo sem boca , já está falando.
E eu faço igual , além do mais porque já não estou em idade de fazer redação em colégio.
ANDRADE ,Carlos Drummond de .Moça deitada na grama.Rio de Janeiro:Record, 1987. p.17-9.

Um lampejo de criatividade na educação

Ops... lobo errado.
A repercussão no Twitter foi enorme. Uns dizendo que peguei pesado dizendo que estava fazendo uma homenagem àqueles que passam o dia correndo atrás da chapeuzinho vermelho e voltavam no final do dia pra comer a vovozinha. Se você, como eles, também se ofendeu, perdoe-me. Não queria espalhar seu segredo. Vamos ao texto de hoje, Num concurso que premiaria estudantes da Rede Pública, o estudante Tiago Polizelli Brait, com seu texto “Chapeuzinho Vermelho do Futuro da era virtual” recebeu a menção honrosa. Leiam a obra premiada:

Certa manhã lá foi Chapeuzinho Vermelho levar disquetes para sua avó. Sua mãe sempre dizia:
- Menina, não vá pela floresta de computadores, vá pela cidade.
Mas Chapeuzinho, sempre desobediente, pegou seu skate voador e lá foi com os disquetes pela floresta afora.
No meio do caminho um lobo-mau-vírus, chamou-lhe:
- Ei menina, o que você tem aí nesta maleta? - indagou o lobo.
- Disquetes para levar para minha avó - disse Chapeuzinho.
O lobo, então, teve a idéia de ir até a casa da vovó e devorá-la. Para isso usou um atalho.
Quando chegou à casa da vovó ela estava surfando na internet, procurando o site do Leonardo di Caprio.
O lobo aproveitou que a velha (quer dizer a vovó) estava dando sopa e zás, devorou-lhe rapidinho.
Quando a Chapeuzinho chegou à casa da vovó, (o lobo disfarçado) foi logo lhe dando os disquetes, mas estranhou, quando viu que a vovó (lobo) estava num site de lobas e não de homens.
E foi logo dizendo:
- Ei vovó, por que a senhora está nesse site? E como a senhora está feia hoje, o seu creme anta - rugas está vencido? - disse Chapeuzinho com uma cara estranha.
O lobo nem pensou duas vezes, já foi pulando em chapeuzinho que saiu correndo e gritando:
- Socorro, um lobo! Chamem a polícia, o FBI, a CIA, a guarda florestal, os bombeiros, os médicos e um decorador pra casa da vovó, ela tá bem feinha.
Depois disso, eles chamaram os médicos que operaram o lobo, com intenção de tirar a vovó de lá.
Só que eles não conseguiram tirá-la, pois ela tinha ficado presa.
Tiveram que transferir o lobo para um centro cirúrgico de última geração, com equipamentos mega modernos.
Eles passaram a noite tentando tirar a vovó. E não é que conseguiram!!
A vovó agradeceu a todos os médicos, mas um, chamou- lhe a atenção. Alguns meses mais tarde, a vovó se casou com esse médico, que gostava muito dela.
Já Chapeuzinho aprendeu que desobedecer sempre acaba em lobo devorando avó.

P.s.: e você achando que seus posts eram um lampejo de criatividade na internet... Pfff!
P.s.2: apenas pra não esquecer, essa série começou aqui.

Onde fica a privacidade do lobo mau?

Pode vir, lobo mau!


Muitas são as versões da antiga história de chapeuzinho vermelho. Algumas favoráveis ao lobo, outras à menina. Certo é que ela ocupa o imaginário de muitas pessoas. Esta é apenas uma das muitas que postarei por aqui. Na lista, temos a tese de Eliane T. A. Campello, textos de Irmãos Grimm, Braguinha, Ana Beatriz Guerra, Cid de Oliveira, Millôr, Tiago Polizelli Brait, Mario Prata, Rubem Alves e outros achados na internet e cuja autoria é duvidosa. Vamos à primeira?

Chapeuzinho Vermelho está andando pela floresta, para levar seus docinhos para vovozinha, quando vê uma moita se mexendo. Sem conseguir conter a sua curiosidade, espia atrás da moita e dá de cara com o Lobo Mau.

- Bom dia, seu Lobo! Nossa que olhos grandes você tem! - observa ela.
- São para melhor te ver, Chapeuzinho! - responde o Lobo, cordial.
E ela continua o seu passeio. Pouco mais adiante, vê outra moita se mexendo. Corre para dar uma espiada e novamente encontra o Lobo Mau.
- Olá, seu Lobo! Nossa que nariz grande você tem! - observa.
- São para melhor sentir o seu perfume, Chapeuzinho! - responde ele, secamente.
E ela continua o seu passeio. Alguns minutos depois, vê outra moita se mexendo. Espia e outra vez dá de cara com o Lobo.
- Uau! Você de novo! Mas que orelhas grandes você tem! - observa.
- São para melhor te ouvir, Chapeuzinho! - responde ele, irritado.
E ela continua o seu passeio. Duzentos metros depois, vê outra moita se mexendo. Adivinha quem está lá? O próprio.
- Olá, seu Lobo! Mas que saco grande você tem! - observa.
- É pra te aturar, Chapeuzinho! Faz meia hora que eu estou querendo dar uma cagada e você não deixa.

Viu fulano? Ele "se ferrou a si mesmo"!

Tempo de leitura, marque aí 1"30". Se passar disso, vá ler algo melhor no blogroll ou acesse o "Copia, Meu Filho ".


Já falei aqui que todos temos prazer no sofrimento alheio. Não digo que somos sádicos, pois vai contra aquilo em que acredito, mas vocês, melhor que eu, sabem que rimos demais quando vemos, por exemplo, uma vídeo-cacetada. Por que? Não me pergunte. Há razões que a própria razão desconhece, ponderaria o narrador do conto "A cartomante" de Machado de Assis. Bem lembrado. Nesse sábado terminou a exibição da minissérie "Capitu". Sem comentar muito sobre o livro, o eterno questionamento a respeito da fidelidade de Capitu nunca terá resposta. O que teremos sim são pareceres baseados em pensamentos contaminados por modos de vida que consideram as novelas da Globo como uma imitação da própria realidade. Eu, quando era mais novo, achava que ela realmente havia traído. Mais velho, calejado pela experiência de ver amigos passando pela mesma situação, penso de forma bem diferente. Para mim, vejam, eu disse "PARA MIM" Bentinho era um homossexual enrustido, apaixonado secretamente por Escobar e que via Capitu como uma concorrente contra a qual não tinha a menor chance. Quem viu os dois últimos capítulos pode comprovar o que eu disse. A maneira como os olhares eram trocados... Se você concorda ou não é questão de opinião. Voltando ao que disse no começo, o post foi motivado pelo pensamento de que gostamos de ver os outros se ferrando. Isso voltou à mente quando li este post no Abuzzado.

"Todo brasileiro adora tango, porque na letra sempre tem um argentino se ferrando!"