Não procure pelo em ovo, por favor.
Em seu post, o
Cidão diz que “
poucos realmente possuem o dom da escrita”. Discordo em termos desse conceito. Durante muito tempo, as pessoas acreditaram piamente na ideia de que o escritor é aquele ser que nasce feito. Basta que ele pegue a caneta para que seja tomado de inspiração e a obra saia de uma vez, pronta. Prefiro ficar com o conceito de Manuel Bandeira, poeta amado pela
Priscila Souza. Esse poeta afirma que os escritores não são seres dotados de uma genialidade distante dos outros mortais. Ele afirma que todo escritor é dotado de um
alumbramento. Buscando uma definição para a palavra, o
Dicionário Informal afirma o seguinte:
É preciso estar atento ao novo
Alumbramento são “experiências que passamos e que parecem não ser "deste mundo". Momentos singulares, impregnados de algo maravilhoso que, de repente, nos toca e encanta. Uma espécie de encantamento faz-nos sentir "estrangeiros" e, ao mesmo tempo, plenamente nós mesmos, totalmente protegidos em algo familiar . Nestes instantes, desembaraçados dos poderes cotidianos, experimentamos uma impressão de extraordinária liberdade.”
No caso da escrita, seria uma sensibilidade diferente para perceber aquilo que ocorre ao redor. O escritor, na minha opinião é diferente nesse aspecto. É aqui que começo a pensar no post do Cidão de forma mais efetiva.
1) Antes de mais nada, saiba escrever e ler
![[IMAGEM] (675) [IMAGEM] (675)](http://lh6.ggpht.com/_9YblIe5FGE0/SrvH3CZ-vII/AAAAAAAADtA/fpZfv24OGwY/%5BIMAGEM%5D%20%28675%29_thumb%5B4%5D.jpg?imgmax=800)
É preciso ter intimidade com as letras. Já falei que quem escreve muito escreve melhor, mas não é possível dissociar a escrita da leitura. Conhecendo por meio de outros autores as possibilidades de construção do pensamento, bem como as maneiras como um mesmo pensamento pode ser expresso, claro que uma pessoa terá mais facilidade para escrever em um blog. Cito, por exemplo, o
Contraditorium. Não porque quero um link lá no blog do Cardoso, mas porque ele sabe muito bem organizar o pensamento no texto escrito. Estrutura, vocabulário, conhecimento gramatical, ainda que empírico, são essenciais para quem quer escrever bem. Claro que há públicos diferentes para blogs diferentes, mas
a regra é escrever certo e não o contrário.
2) Escreva sobre algo que você conhece
“
Nunca escreva sobre algo que você nunca viu ou desconhece.” A afirmação do meu amigo professor de Física é verdadeira. Ninguém deve escrever sobre o que não conhece. Já disse que “morri pela boca”. Me vangloriei certa vez numa aula de Filosofia e “si dei mal”. Sei como estruturar as ideias, mas isso não significa que eu saiba falar de tudo. Isso não impede, no entanto, que você se aventure a escrever sobre o que quer. Uma boa pesquisa, conversas sobre o assunto com amigos no Twitter, tudo isso pode fazer com que você possa emitir uma opinião sobre algo. Eu, por exemplo, já dei dicas de como fazer sucesso, mas me perguntei ao final do artigo se eu mesmo sou um exemplo de sucesso. O
Caio Lausi é um bom exemplo que pessoa que diversifica. Ele fala de tecnologia, de carros, armas, Esquadrilha da Fumaça, pensa nos outros e ainda me perturba no MSN.
3) Ao dar uma opinião, forneça elementos
Leia novamente a dica anterior. Acrescento apenas que falar de forma enfática é mais eficaz do que ficar vacilando entre advérbios de dúvida. Vê como o Maluf, por exemplo, sai bem de situações que aparentemente são saias-justas? Fale com convicção.
4) Dê referências, "linke" muito
“Ao escrever sobre qualquer assunto, "linke" outros artigos como referências, para apoiar sobre o que você está discorrendo”. Isso que o Cidão falou é verdade. Ontem, no Twitter, o
Hugo Meira disse que sempre ensinaram que ele deveria escrever em 3º pessoa. Brincou, ainda, afirmando que diziam isso por ele não ter credibilidade. Discordo, mas é bom referenciar aquilo que se diz. Exceto aqueles que já publicaram obras teóricas, tratados ou mesmo tiveram alguma sacada genial que resolveu algum problema de muitas pessoas, a maioria dos blogueiros deveria linkar outros textos a partir dos quais eles chegaram às conclusões apresentadas no post.
5) Não copie textos de outros
Nove entre 10 pessoas que mantém algum tipo de site na internet dão como dica principal para ter sucesso com um novo blog a publicação de artigos originais. Entenda como original não apenas aquilo que nunca tenha sido escrito. Este meu artigo, por exemplo, embora baseado na estrutura e conteúdo
desse post, acrescenta, eu espero, algo ao que já havia sido dito. Copiar é crime, é feio e queima o filme. Para ver como isso é ruim, basta sentar com a
Juliana e ouvir as histórias de plágio que a mesma já viveu. Usar ideias de outros blogs não considero errado, mas além de linkar o original, algo novo deve sempre ser acrescentado. Não me venham falando que a simples troca por sinônimos faz o texto ser original. Eu já vi textos em metablogs que eram cópias de outros, mas apenas por ter uma ou outra palavra diferente já era visto como único por seu autor. “
Me engana que eu gosto” é o que eu diria.
6 ) O que importa é a qualidade
Há algum tempo, minha maneira de blogar mudou um pouco. Isso é, em partes, culpa do editor
desse blog. Fui convencido de que fidelizaria mais meus leitores publicando menos, porém melhores artigos do que fazendo três, quatro ou mais postagens no mesmo dia. Muitas vezes, estas nem eram escritas por mim e sim reproduções de piadas e comentários que recebia por e-mail. O fato é que seja pequeno como
este aqui ou grande como este que você está lendo agora, conteúdo é primordial.
7) Coloque palavras-chaves
Já ouvi falar sobre criar títulos, subtítulos, deixar algumas palavras em negrito. Gosto do aspecto, embora nem sempre use. O conceito de palavra-chave para indexação pelo Google, no entanto, não sei bem. Quem sabe o próprio Cidão ou o
Felipe Xavier queiram falar disso.
8) Revise o seu texto
Repito exaustivamente que um texto não deve conter erros de norma culta. Isso não é importante apenas pelo fato de evitar problemas de interpretação ou deixar o texto desconexo, mas o uso correto da língua portuguesa é importante porque confere credibilidade ao texto. Se no primeiro parágrafo já encontro um “seje” perco a vontade de ler. Na dúvida,
consulte este dicionário. Claro que não é desculpa, mas erros que claramente são de digitação devem ser relevados. Eu mesmo já deixei uns dois erros propositais (e mais cinco por falta de revisão) nesse post e acho que ninguém percebeu!
9) Os títulos devem ser interessantes, mas não muito longos
“Ninguém pega mosca com vinagre” diz uma ilustração do livro “Técnicas de comunicação escrita”. Um bom título pode instigar o leitor. Muitos leem por e-mail ou pelo GReader e um bom título é mais um ponto a seu favor. Veja
este artigo do blog
Fique-Rico para entender a importância disso.
10) Leia muito
Ler muito não só torna as estruturas da língua mais internalizadas como ajuda a memorizar a grafia das palavras. Nunca mais você vai esquecer como se escreve obsessão ou vai confundir viajem com viagem se souber como usá-las. Na pior das hipóteses, ler bons livros vai purificar seu cérebro de tantas besteiras que lemos por aí.
Uma imagem fofa pra agradar aos meus amigos.